
A temporada da F1 2010 chega ao fim, e de forma inesperada. A disputa final mais esperada era entre Alonso e Webber, e no final Vettel de forma surpreendente conquistou o título. Nada mau para um piloto que nunca tinha liderado o campeonato em momento algum. Ele também entra para a história ao se tornar o mais novo campeão mundial da F1, aos 23 anos e 4 meses.
A torcida de muitas pessoas no paddock da F1 antes da corrida era para Mark Webber, por ser um piloto mais velho, com menos chances de vencer, e por lutar sozinho em uma escuderia onde praticamente todos preferiam o alemão Vettel. Tudo isso por questões de marketing. Para a Red Bull era interessante que o campeão fosse Vettel, de 23 anos, já que impulsionaria ainda mais as vendas de seus energéticos voltados para jovens que estão na mesma faixa etária, enquanto que o mesmo não se aplicaria a Mark Webber, de 34 anos.
Tirando a questão de marketing, na pista os pilotos eram muito iguais, com Vettel apresentando erros infantis em algumas corridas, e Webber andando com mais consistência e regularidade, apesar dele também errar em algumas oportunidades. Vettel tem uma pilotagem muito agressiva, vai para cima de quem estiver a sua frente sem pensar duas vezes. Isso é admirável, porém perigoso algumas vezes, e isto lhe custou preciosos pontos no campeonato, por colisões com adversários. Webber é mais calmo, mas não quer dizer que seja menos agressivo, prefere esperar o momento certo, nem que seja na próxima corrida, já que o melhor carro da temporada é o da sua equipe, a Red Bull.
Vai um destaque especial para a Red Bull por não aceitar fazer ordens de equipe e deixar com que seus pilotos decidissem na pista o resultado da corrida. Entretanto, se fosse necessário qualquer troca de posições entre seus pilotos, talvez seria feito apenas na última volta da última corrida. Pena que nem todos pensem assim.
Alonso era o líder e tinha o campeonato nas mãos. Com uma Ferrari ruim fez mais com menos. Isto foi notável e foi elogiado por grandes ex-pilotos que diziam que ele pertencia a um seleto grupo de pilotos capazes de vencer um campeonato sem ter o melhor carro, como Ayrton Senna.
Felipe Massa com o mesmo carro fez muito menos pontos que o espanhol. Massa se defende ao dizer que o pneu não se encaixou com seu estilo de pilotagem, o que foi determinante para sua temporada ruim. Além deste fato, tem a questão da troca de posições na Alemanha. Massa liderava, com Alonso próximo, e Massa foi orientado a deixá-lo passar, e aquilo foi um golpe duríssimo para Felipe, que merecia como nunca aquela vitória. Aceitou a ordem, e depois parece ter se arrependido, ao dizer que aquilo nunca mais aconteceria. Não foi necessário, já que depois desta corrida andou na frente do espanhol apenas na Bélgica, onde Alonso no fim abandonou. No mais ficou atrás dele todo o restante da temporada. Que em 2011 melhore muito, seja para permanecer na Ferrari ou para mudar de equipe em 2012.
Alonso perdeu e sua arrogância somada a dor da derrota foi enorme a ponto de culpar o piloto Petrov da Renault de bloqueá-lo de modo anti esportivo, o que não ocorreu. Petrov defendeu de modo limpo e eficaz, e lutava não só por isto, lutava para permanecer na equipe em 2011. Uma boa performance pode garantir mais um ano, e é isso que ele espera conseguir após esta bela performance em Abu Dabhi. Alonso não foi sequer cumprimentar Vettel após a corrida tamanha a decepção. Da Ferrari, apenas Massa foi cumprimentar o novo campeão. O egocentrismo da Ferrari foi tão grande que nem ficaram para ver a festa do podium, onde todas as equipes saúdam os vencedores. E este podium foi especial pois foi o último de 2010. Mas para uma equipe que se acha acima do bem e do mal, que joga sujo e desrespeita o regulamento seria demais ver a festa que não fosse a deles próprios. Maus perdedores. A Ferrari perde muito mais que o campeonato agindo desta forma.
Hamilton sabia que era muito difícil vencer, mas ainda assim ele e a Mclaren usaram de uma estratégia inteligente e ele e Button completaram o podium. Formaram uma dupla forte onde prevaleceram o respeito mútuo e a amizade entre eles no meio da competitividade da F1. Algo difícil de se ver entre companheiros de equipe, que normalmente se tratam mais como colegas que como amigos, já que é uma competição que envolve muito dinheiro, prestígio, patrocínio e isto fica acima de qualquer amizade, já que o objetivo primordial é ser melhor que o companheiro de equipe e depois tentar ser melhor que todo o resto.
A temporada terminou bem e fica a esperança de que ano que vem um brasileiro possa ser o campeão da próxima temporada. Apesar de ser improvável não é de todo impossível. Que Bruno Senna e Lucas di Grassi consigam carros melhores e mais competitivos para conquistarem pontos e quem sabe até um podium. Barrichello teve um ano regular com uma Willians pouco competitiva. Que a equipe construa um carro em condições de vencer como os carros "de outro planeta" apelidados por Ayrton Senna em 1992. E para finalizar, que Massa lute desde o início para ser o protagonista na Ferrari. Que seja um grande piloto como ele se classifica, já que para muitos ele se tornou um escudeiro, nada mais.
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