Adoraria começar este texto com belas palavras e elogios ao tratamento dado a quem tanto precisa de assistência e é, por muitas vezes, ignorado e esquecido: O deficiente físico e/ou os cadeirantes.
Infelizmente muitas cidades estão cada vez mais intransitáveis para um ser humano normal, os passeios esburacados, sujos e até mesmo escorregadios. Para um deficiente físico a situação é ainda pior. Além do esforço de se locomover, o indivíduo tem que contar, em muitas das vezes, com a ajuda de desconhecidos para conseguir atravessar uma rua, embarcar em um ônibus, e até mesmo para ir visitar um amigo próximo de casa, o trajeto pode ser um desafio e tanto para ser superado.
O problema é tão profundo que a coisa piora quando se chega aos bairros. Nos bairros próximos a minha residência o problema é gravíssimo. Um cadeirante tem que ir, literamente, para a rua para poder se deslocar, pois as calçadas tem vários degraus, de diferentes alturas, e é difícil para uma pessoa normal andar ali, para um cadeirante ou deficiente físico então, nem se fala. Como cada pessoa tem que fazer a própria calçada, vira uma situação fora de controle, cada um faz do jeito que quiser, e dane-se se algum cadeirante ou deficiente tiver que passar pela calçada. Alguns mais grosseiros podem até dizer o popular "se vira" para estas pessoas tão desamparadas. O edifício onde resido é o único de outros seis edifícios que possui uma rampa ao invés de um degrau na entrada do prédio para se acessar os elevadores. Vale a pena ressaltar que esta rampa foi feita devido ao fato de um cadeirante morar no mesmo prédio que eu, senão, nada feito. Os outros edifícios pensaram na idéia? De forma alguma.... e se este vizinho visitar alguém em outro prédio?? Infelizmente terá que "se virar"....
Reportagens na tv e nos jornais mostram este triste retrato que tem dificuldade em mudar. Falta atitude política e campanhas sociais de maior impacto para sensibilizar as pessoas para tal problema. Apesar dos pesares, uma pessoa que tenha dificuldades de locomoção merece e tem todo o direito de ir e vir aonde desejar, e a acessibilidade é o mínimo que estas pessoas devem precisam, e, por muitas vezes, não possuem.
É uma pena que sejam necessárias novelas e apelos intermináveis para que algo possa mudar. Falta sensibilidade e se colocar no lugar do outro para poder sentir, nem que seja por um instante, o problema "na pele", para que algo seja mudado. Não é possível que um país grande e que quer ser de primeiro mundo como o Brasil precise sediar uma Copa do Mundo e uma olimpíada para que as coisas de fato aconteçam.
Encerro este texto com fé, otimismo e expectativa para que, no futuro, o mundo seja um lugar ainda melhor para que todos (sem exceção) possam viver dignamente, com igualdade, inclusão e acessibilidade!!!
Um abraço,
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