Era uma vez um rapaz esforçado, um verdadeiro batalhador na luta do dia a dia.
Faz o que não quer, defende seus ideais, e sonha com dias melhores. Assim é o seu viver. De repente o celular toca:
- E aí, beleza?!
- Beleza, to precisando de você. Servicinho mamão com açúcar!!
- Opa, vamos nessa!! Por quanto tempo?
- Uns quatro dias. Esteja aqui às 07:00h.
-Ok, a gente se vê amanhã.
Ao chegar lá, era uma grande missão a ser cumprida. 12 horas diárias de trabalho, caminhões a serem descarregados e muita coisa a ser feita em tempo recorde. Com empenho e garra as dificuldades foram superadas uma a uma. Muito cansaço, peso, sol, água escassa, a fome que apertava nas horas mais cruciais, banheiro químico imundo e muita, muita cobrança. Assim foi o primeiro dia, mas os outros podem ser melhores, assim pensou. Ledo engano.
O dia seguinte foi ainda pior e, ao final deste dia, como o serviço não tinha de todo terminado, todos ainda ouviram uma proposta indecente, pra não dizer que foi ridícula. Trabalhar por mais 3 horas, após 12 horas de trabalho intenso, só com o almoço, ganhar um lanche e R$10,00. É trabalho ou escravidão?? Claro que ninguém topou.
No terceiro dia as coisas foram um pouco melhores, mas ainda assim delicadas. Passar horas e horas sem comer direito e ainda por cima pegando no pesado não é missão das mais fáceis. Mas o pior ainda estava por vir.
No domingo chega o grande dia de desmontagem e de acabar com tudo. A sensação era boa, já que seriam chamados 60 homens para acabar com tudo. Mas na realidade o que aconteceu foi um grande e enorme pesadelo. Visualmente eram uns 40 homens, e não os 60 que deveriam estar ali, que foram divididos em grupos.
Após jantarem, por volta das 21h o serviço começou. Era muita coisa a ser feita. Portanto, ninguém poderia relaxar. Mas infelizmente alguns relaxaram, e, às 5:00h da manhã o "poderoso chefão" pagou uma geral para todos que ali estavam. Alegou que ninguém estava trabalhando direito e que assim as coisas iam demorar ainda mais. Depois tentou corrigir ao dizer que eram alguns que não estavam trabalhando sem vontade, mas a m***a já tinha sido feita. Três homens decidiram abandonar o serviço, e não receberam pelo dia de trabalho. Foi demais ouvir aquele sermão que deveria ser direcionado a quem não estava se empenhando, ao invés daquele senhor agredir gratuitamente a todos.
O que mais irritou a muitos que ali estavam foi a forma e a maneira como aqueles rapazes foram massacrados e maltratados. Sem alimentar direito, levando bronca, abusos, humilhações. Definitivamente, isto não é trabalho digno. Já dizia Charles Chaplin: "Não sois máquinas, homens é que sois". Mas, para aqueles monstros travestidos de chefes, todos eram máquinas sejam elas escavadeiras, empilhadeiras, tratores e demais ferramentas e aparelhos em forma de gente.
Apenas as 07:30 da manhã do dia seguinte a rapaziada comeu um lanche que sequer fez cócegas, tamanha a fome de todos. Ainda tinha muito a se fazer, e com união de todos o trabalho estava por um fim.
Após todos passarem a noite em claro e a carregar bastante peso, finalmente chega o último caminhão, e com ele vieram alguns homens que deveriam estar trabalhando, mas se esconderam e fugiram da responsabilidade. Mas marcaram presença para alegar que ali estiveram e que trabalharam. A raiva subiu a cabeça de muitos, mas a justiça teria que fazer sua parte.
Às 10:30h o trabalho termina. 13 horas e meia, sem dormir. Alegria misturada à exaustão. E o melhor, ou o mais irônico de tudo é que teve um lanche na hora de ir embora, onde não precisaríamos de tanta força assim. Faltou tato para perceberem o drama e dar este lanche em outra hora.
Mas o melhor de tudo é que quem se escondeu e não trabalhou, teve o prejuízo na hora de receber. Tudo foi descontado e a justiça foi feita!
Mas a tristeza e o sentimento de desvalorização das pessoas ficou.
Quem é o protagonista da estória? Pode ser eu, você, e quem se sentir como uma máquina. Somos pessoas e temos sentimentos, fragilidades e necessidades. E não aparelhos que precisam de algumas gotinhas de óleo ou graxa.
E olha que este foi um servicinho "mamão com açúcar". Imagine o que não é então....
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