esta é a estória de um homem que assim como cada um de nós quer aproveitar o que há de mais sagrado que nos foi dado: A vida.
há muito tempo atrás mais uma criança vem para alegrar o lar de mais uma família. Seu nome? João. Com muito amor e dificuldade ele teve uma infância com momentos alegres e tristes, sempre rodeado de amiguinhos, seja na escola ou com os vizinhos.
Veio a adolescência e com ela os hormônios a flor da pele, a rebeldia pertubava os pensamentos, milhares de descobertas, positivas e negativas. As amizades começavam a cair em um vazio existencial que dominava João. Por ser um pouco temperamental, excessivamente sincero e franco, por muitas vezes machucava as pessoas, mesmo sem querer.
A medida que os anos se passavam João não conseguia enxergar o que acontecia. Desde criança aprendeu que devemos ser honestos, dizer a verdade, e todos estes valores tinham enorme força nas suas atitudes, escolhas e relacionamentos. Namorou muitas vezes, e tudo no final acabava mal para os dois lados, seja por implicância dos sogros, seja por problemas de convivência com as namoradas.
O que era mais curioso para o João é que em toda a sua vida ele esteve rodeado de gente ao seu redor, que relacionava com ele de maneira direta ou indireta, e ainda assim havia um enorme vazio dentro de si. Uma solidão incompreendida e inexplicável. Como é que um rapaz bonito ficava solteiro por tanto tempo como ele? A situação chegou ao ponto de pensarem as más línguas que ele fosse homossexual. E se fosse, que problema teria?? Afinal, preferência sexual é uma escolha pessoal de cada um. Mas, no caso de João, não tinha dúvida. Era hetero e ponto final.
A modernidade afetou João de maneiras diversas. Por um lado ele adorava as novidades tecnológicas, o celular, o Mp3, as câmeras digitais, e tudo que facilitasse a vida das pessoas agradava. Porém, esta mesma tecnologia por muitas vezes o afastou ainda mais de seus escassos amigos. Certo dia um deles não poderia sair porque teria que atualizar seu perfil em site de relacionamento, outro porque teria que encontrar com uma menina de uma sala de bate-papo virtual. Era muito estranho.
Antes muitas pessoas iam aos bares, boates e outros lugares para tentar encontrar alguém, se divertir, e, quem sabe, dar uns beijos na boca. Isso ainda acontece, mas estes novos hábitos possibilitados pela tecnologia entristeciam João. Foi se o tempo das brincadeiras de queimada, pegador, rouba bandeira, jogos de tabuleiro. Claro que agora ele é adulto, mas hoje em dia as crianças querem ficar em casa sozinhas ou com no máximo um amigo para jogar videogame, ou navegar na internet. É mais divertido, mais saudável e seguro. Com a violência batendo a nossa porta a cada dia, melhor evitar o pior. A consequência?? População obesa ou sedentária, infeliz, isolada, individualista e consumista.
É cada um por si. Em tempos de gripe suína, aids e tantas doenças, parece que o contato virtual é mais "saudável" que o tradicional. João ficava sem entender como conseguia estabelecer e manter contato com algumas pessoas distantes dele, enquanto que ficava meses sem ver o vizinho da sua casa. O mundo está ao avesso, os valores deturpados e alterados.
Até a família ficou dividida. Após a separação dos pais, ele conversava com ambos apenas através de um programa de bate-papo instantêneo. O divórcio dos seus pais foi um golpe duro demais para João. Ele nunca teve problemas financeiros, mas existia uma enorme carência afetiva que o feria intensamente, era uma cicatriz incurável em seu coração. Que valor tem um beijo ou uma carícia virtual? Mesmo que tenha som e o barulho de algo real, gestos virtuais jamais serão como as reais, mesmo que com a maior e a melhor das intenções.
Tal realidade massacrou tanto o pensamento e os valores de João, que o mesmo usou drogas e tentou o suicídio por três vezes. Hoje está internado, e procura entender que, na realidade, não queria tirar a própria vida, e sim a dor da solidão, do isolamento e do esquecimento dos amigos, mulheres, família, e de tudo que a vida não conseguiu lhe dar o que de mais preciososo queira e agora tem que reaprender a fazer: Viver dignamente e intensamente, mesmo que virtualmente sozinho.
domingo, 30 de agosto de 2009
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