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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Chegou o dia D


Pela primeira vez na história um presidente negro é eleito nos Estados Unidos e ele terá em suas mãos o controle de uma das nações mais poderosas do mundo, a partir desta terça, 20 de janeiro de 2009. Um presidente que é a inspiração para milhares de pessoas que acreditam na mudança e vislumbram dias melhores. Há muito tempo não via uma eleição mobilizar milhares de pessoas e provocar sensações até então esquecidas, como a união, a esperança e a fé, através da famosa frase slogan de Obama que diz: “Yes, we can”(sim, nós podemos). No dia em que foi eleito me lembro bem. Foi emocionante o seu discurso, no qual dedicou parte deste à sua mulher, Michele, que a considera a sua rocha, seu porto seguro, que sempre esteve ao seu lado em todos os momentos. Destacou o apoio de todos, independentemente de serem brancos ou negros, e enalteceu a luta de seu rival McCain, e conta com seu apoio. Mostrou humildade em saber que toda ajuda será importante em um momento de crise como o atual. Que ele tenha sucesso, competência e força para superar os grandes desafios que virão pela frente.
Imagino que Martin Luther King, onde quer que esteja estará feliz em ver que o sonho que tinha de igualdade, de liberdade, de justiça social e de fraternidade atingiu seu grau máximo. Algo até então inimaginável e impossível para os padrões dos anos sessenta: Um negro ser eleito por brancos, negros e hispânicos como o presidente dos EUA, um país que assim como o Brasil escravizou negros em suas terras há muitas décadas atrás. Entretanto, a luta que os negros tiveram que travar nos EUA para conquistar direitos legítimos que qualquer cidadão comum deve ter, foi intensa, sofrida, com muitos atos de racismo, discriminação, injúrias e agressões de todos os tipos, de pessoas que se julgavam superiores apenas por terem a cor da pele diferente. Para se ter uma idéia o negro era considerado preguiçoso, incapaz, sem inteligência, feio, sujo, às vezes nem ser humano, só por ser negro. Os mesmos negros que contribuíram e lutaram ao lado dos brancos para a independência dos EUA, os mesmos negros que conquistaram e conquistam inúmeras medalhas e títulos para os EUA no esporte, além de muito mais feitos, ou seja, a diferença da cor da pele é apenas um pequano detalhe até mesmo já comprovado cientificamente. Há pequenas diferenças genéticas, como o negro ter maior probabilidade de ser um melhor corredor, enquanto o branco pode ser um melhor nadador, mas nada muito além disto. Muita coisa melhorou, mas o conceito de beleza negra ficou por muito tempo massacrado pelos padrões de beleza dos brancos. Tanto é que nos EUA foi feita uma campanha para realçar e valorizar a beleza negra com a seguinte frase: “Black is beautiful”(O negro é lindo) para combater o preconceito e reerguer a auto-estima da comunidade negra no país, além de vários outros eventos.
O século XXI mal começou e algumas mudanças se apresentam tais como a conquista do título mundial da F1 pelo inglês Lewis Hamilton, o primeiro piloto negro na categoria, além, é claro, da fantástica eleição de Barack Obama nos EUA. Ainda me lembro que neste dia o discurso de Obama foi tocante e envolvente, à medida que suas palavras embalavam multidões, se viam brancos e negros juntos, se abraçando, chorando e felizes pela eleição que foi ganha após muita luta e empenho, pois milhares de pessoas participaram de sua campanha. E mais que nunca ele provou que não há obstáculos para quem luta pelos seus objetivos, por mais impossível que pareça ser. E mostrou, principalmente, aos negros de todo o mundo, que o lema de sua campanha é a mais pura verdade: Sim, nós podemos!

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